A Fuga…

26 Maio, 2012 Deixe o seu comentário

Hoje saí. Irado, revoltado. Algo bem patente no estrondo que resultou do fechar da porta. Não tranquei a fechadura. Deixei de me preocupar com esse tipo de pormenores. O trinco desempenha bem a sua função. É sempre tão subvalorizado…

Saí. Sem destino nem hora marcada. Saí.

Fui para onde as pernas me levaram. Para onde o Sol tem mais brilho. Estou farto de nuvens negras e nevoeiro cerrado. Gosto de ver ao longe. Gosto de planear as coisas devidamente. Os nevoeiros são sempre uma lotaria! O que faz com que as derrotas não sejam dignas ou sequer justas. Assim como as vitórias.

Saí. Estou cá fora. Saí.

 

Quero ver gente. Não interessa quem. Desde que não os conheça. Deambulo no meio deles. Quero misturar-me no meio dos desconhecidos, a fim de me esquecer um pouco de quem sou. Evito atravessar-me à frente dos que tiram fotos. Acho rude. Houve até quem me pedisse, num hesitante e tímido inglês, para lhe tirar uma foto. Assim fiz. A moça era bonita… Devia ter-lhe pedido o número.
Ouço, em barulho de fundo, o som desorganizado de mais uma manifestação de Esquerda. Os seus berros e exigências utópicas misturam-se com as notas tremidas que uma moça retira do seu acordeão a troco de umas moedas. O trânsito foi fechado por causa dos zurzidores de t-shirt e bandeira vermelhas. Não há carros que se me atravessem no caminho. Óptimo, menos uma distracção.

Saí. Sento-me junto à margem do Tejo. Saí.

O Sol mostra-se imponente, parecendo fintar as sempre calmas e imperturbáveis nuvens. Vejo alguém que desenha num pequeno pedaço de papel. Fantástica a Arte de criar com apenas alguns traços. Leves, mas decididos, todos juntos, dão lugar a algo singular e majestoso. Mais à frente uma criança descobre o fascínio que é observar uma gaivota. Engraçado como algo tão trivial parece ser o mais exuberante filme aos olhos de um puto.

Saí. Mudo a música que o iPod me impõe. Saí.

 

Há quem me olhe com olhar intrigado. Não sei se querem perceber o que ostento na pele. As pessoas costumam ser muito curiosas em relação a isso. Hoje, se alguém perguntar, vou mentir acerca do significado. Não quero dar mais de mim.

 

Saí. Uma ruidosa ambulância segue, atarefada, para o seu destino. Saí.

 

Sinto que não devia perder o meu tempo a martelar este ecrã, descrevendo tudo o que vejo, à espera que saia alguma coisa com o mínimo de sentido. Vou parar. Parar e sair daqui.

 

Saí. Ao ritmo do som das ondas. Saí.

Tudo à base da hipocrisia

25 Fevereiro, 2011 2 comentários

Se há coisa que repudio veemente é a estupidez e a hipocrisia. Não suporto nenhuma delas isolada, quanto mais quando ambas se coligam. E nestes últimos dias, têm andado de mão dada por esse país fora, sempre presentes em comentários acerca da intervenção do GISP (Grupo de Intervenção de segurança Prisional) no estabelecimento prisional de Paços de Ferreira. Intervenção essa ocorreu dia 17 de Setembro de 2010, mas só foi tornada pública esta semana.

Ora, tal como se pode constatar no vídeo acima, o GISP actuou a fim de acabar de vez com aquela situação que já estava a ganhar contornos indesejáveis. O recluso insistia em sujar a cela com restos de comida e com as próprias fezes. Esta situação já se arrastava há vários dias, ao ponto de os próprios reclusos da mesma ala iniciarem uma greve de fome em protesto ao mau cheiro que se fazia sentir. Após vários avisos e avaliações psiquiátricas, a direcção do estabelecimento prisional decidiu convocar uma intervenção do GISP. Os operacionais não agridem fisicamente o recluso, nem tão pouco o torturam. Durante a intervenção o recluso é cordialmente contactado por parte do operacional do GISP, examinado por um médico a fim de assegurar que não ficou com lesões e ainda lhe atribuem uma nova cela, limpa!

A meu ver, isto é uma intervenção normal e bem executada. Mas não. Há sempre aquela gentinha gentalha irritante que insiste em invocar os Direitos Humanos, que acha sempre mal uma intervenção deste cariz, por muito bem executada que seja. Para começar, os maricas do Bloco de Esquerda pediram logo explicações. Das duas uma: ou são estúpidos que nem caixotes e não perceberam o porquê nem as circunstâncias daquela intervenção, ou então devem estar a confundir o seu papel de “partideco” de Esquerda com a gestão das forças de ordem pública. Ridículo!

Depois, há a Opinião Pública. Ainda hoje vi uma entrevista de rua, efectuada à frente do Palácio Nacional de Sintra, onde 3 pessoas condenaram sumariamente a actuação do GISP. Para suportar a sua opinião, usaram argumentos como: “Violência gera violência.”, “O taser é uma arma «especial». Acho que não deveria ter sido usada.” e “Há sempre outra maneira de resolver as coisas sem recorrer à violência.” Além destes argumentos serem, aparentemente, válidos, neste contexto são totalmente descabidos. Quem disse que “Violência gera violência” tem toda a razão. Foram os actos agressivos do recluso e a sua resiliência para com as ordens dos guardas que levaram à intervenção do GISP. O energúmeno indivíduo que disse que “O taser é uma arma «especial»” demonstra um total desconhecimento acerca do aparelho em questão. O taser é uma ferramenta que apenas se limita a debitar uma potente descarga eléctrica de curtíssima duração, a fim de imobilizar o prevaricador. É um dispositivo que não deixa ferimentos nem sequelas físicas. Até os próprios agentes, quando estão a ter formação acerca do aparelho, são submetidos aos seus efeitos, para melhor perceberem o que estão a usar. Ora, daí a chamar-lhe “arma”… As pessoas partem logo do princípio que aquilo mata. Nessa lógica, para essa gentinha, seria mais frutuoso e ético acalmar o recluso com umas valentes bastonadas no lombo. Afinal, nos motins entre claques de futebol a berdoada é um método largamente usado e nunca vi ninguém a questionar a sua aplicação. Vá-se lá perceber este povo. Por último, vem o cliché (como aliás, é já apanágio nas muitas entrevistas que correm na TV) “Há sempre outra maneira de resolver as coisas sem recorrer à violência.”. Eu não sei se o indivíduo é budista ou não, mas esta frase é, claramente, de quem não faz a mínima ideia do ambiente que se vive numa prisão, nem tão pouco das ofensas que o recluso já tinha vindo a praticar desde então. Para o senhor entrevistado, um recluso que já foi agressivo para com toda a comunidade prisional, deve ser lidado com palavras meiguinhas e reconfortantes. Ainda não perceberam que esse tipo de gente só lá vai com aquilo que percebe melhor: ofensa corporal.

É triste e envergonho-me ao ouvir estas declarações por parte de pessoas que vivem no mesmo país que eu. Por cidadãos cujo voto vale tanto como o meu. Por gente que não faz ideia daquilo que fala, que dá sempre uma de moral e amizade. Se o recluso tivesse agredido alguém da família deles, ou eles mesmos, será que os entrevistados diriam o mesmo? Como podem proteger um criminoso violento que estraga a comida que é paga com os impostos que eles pagam? Como consentem que esse animal suje injustificadamente os lençóis que terão que ser lavados recorrendo ao dinheiro que descontam mensalmente? Como podem eles querer aplicar as regras da sociedade a alguém que renuncia às mesmas, quando leva a cabo atitudes daquelas?

Haja lucidez, bolas…

Pela Liberdade

23 Fevereiro, 2011 1 comentário

A desinstalação está (muito) complicada...

Há gentinha que continua sem se mancar…

17 Fevereiro, 2011 Deixe o seu comentário

Há uns dias escrevi um texto sobre a ridícula petição que os “amigos e admiradores” de Carlos Castro irão fazer ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Podem ler o texto no post imediatamente abaixo deste. Critiquei uma ideia que é, para mim, uma profunda estupidez. Mas, quando eu pensava que a história ficava por ali, não é que descubro outra ainda mais gira? Embora indirectamente ligada,o teor não é bem o mesmo.

Como toda a gente já deve saber – pois a Comunicação Social faz questão disso acontecer – o assassino do Carlos Castro, Renato Seabra, encontra-se detido nos Estados Unidos da América, país onde cometeu o crime. Logicamente, após o sucedido, a Justiça americana logo colocou o criminoso sob sua alçada. O ex-modelo encontra-se detido e vai-se declarando inocente (!) enquanto aguarda julgamento. Ora, é lógico que a família dele esteja a sofrer bastante com a sua ausência, pois a distância é de muitos milhares de quilómetros, mas, por muito grande que seja a angústia, dificilmente encontro uma ténue nota de legitimidade naquilo que a família de Renato protagonizou. Com o intuito de trazer o culpado para o nosso país, decidiram enviar um comunicado a José Sócrates, Cavaco Silva, Barack Obama (!) e, imagine-se, Oprah Winfrey! Nesse mesmo comunicado afirmam ser o pedido de todas “as mães de Portugal” e também que o assassino é “um menino de ouro”.

Quanto a vós, não sei; mas eu consigo já apontar umas tantas incongruências no comunicado pela família difundido. Comecemos:

  1. Acho genuinamente estúpido estar a importunar o primeiro-ministro, o presidente da República e o presidente dos Estados Unidos da América – por muitos considerado o homem mais poderoso do Mundo – a pedir que um assassino seja retirado do país onde cometeu o crime só porque a família assim o entende. Só me lembra a birra dos miúdos de 5 anos. Já para não falar que o apela à Oprah roça o ridículo. Alguém diga aos néscios familiares do Renato que a Oprah não passa de uma apresentadora de TV. Ela não possui quaisquer cargos na política ou Justiça americanas.
  2. A nomeação da hipotética vontade de todas as “mães de Portugal” é, além de injustificada, até potencialmente ofensiva para quem não assim pense e se veja citada por esta gente. No mínimo, escusado.
  3. A adjectivação de “menino de ouro” é perturbadora. Ok, eu percebo que é uma opinião oriunda da família do criminoso, mas bolas, afirmar isso a dirigentes de dois países é demais. Segundo consigo conceber, um “menino de ouro” não mata nem tortura outra pessoa. Seja qual for o mal que essa mesma pessoa lhe havia feito anteriormente. É-me complicado perceber a cegueira de algumas pessoas. juro que é.

Em suma, um comunicado ridículo, onde Deus é evocado com bastante regularidade (só não lhe enviaram uma cópia também porque o gajo é esperto e não dá a morada a ninguém), onde o assassinato atroz de alguém por parte do seu familiar é completamente negligenciado à luz da ideia pré-concebida e manifestamente parcial que possuem acerca do mesmo. Não façam figurinhas destas meus caros. Em vez disso, encarem a adversidade da melhor maneira que conseguirem, pois já deviam ter percebido que, dados os contornos macabros do crime, o “menino de ouro” provavelmente irá apodrecer numa qualquer cadeia norte americana…

Há gentinha que não se manca…

14 Fevereiro, 2011 Deixe o seu comentário

O relógio marcava, sensivelmente, 9:45. Acabava eu de chegar ao Metro. Logo avistei um lugar, apressei-me para o obter. Sento-me tranquilo. Ao meu lado, uma moça rabisca uma folha A4 completamente branca. À minha frente tenho dois indivíduos que, a julgar pelos trajes e objectos que traziam consigo, diria que iam a caminho do trabalho. Começo a ler o Metro, jornal que sempre me acompanha nas manhãs. A capa era completamente dedicada ao dia de S. Valentim. Ridícula, portanto. Enfim, após praguejar mentalmente, viro a página. E, logo na terceira, deparo-me com uma notícia que, além de me fazer praguejar ainda mais, quase me fazia soltar uma gargalhada de desdém para com a mesma. E a notícia que li foi exactamente esta:

Um grupo de “amigos e admiradores” de Carlos Castro, entre os quais Filpe La Féria, Vítor de Sousa e Eládio Clímaco, vai propor à Câmara de Lisboa que seja dado o nome do cronista social a uma rua da cidade. “Consideramos que merece que o Dr. António Costa nos receba para lhe apresentarmos formalmente esta proposta”, que é uma maneira de “recordar” o cronista, adiantou Aristides Teixeira.

Portanto, esta gentinha que dar o nome do malogrado cronista a uma rua da capital! E o único argumento que apresentam é o de ser “uma maneira de recordar”. Claramente este pessoal não se manca. Pergunto eu, que fez o cronista ao longo da sua carreira em prol do país para merecer tal distinção. Que arte possuía ele que fosse razão para levar a cabo o que é aqui proposto? A meu ver, absolutamente nenhum! Pode ter sido – e acredito piamente – uma excelente pessoa. Mas isso não faz com que o seu nome seja dado a uma rua. Longe disso. Ainda mais meritórios que ele são nomes como Camacho Costa, Henrique Mendes, Pedro Pinheiro, António Feio, José Saramago, Henrique Canto e Castro, Raul Solnado, José Morais e Castro, Luísa Barbosa, Fialho Gouveia entre muitos outros. Estes foram apenas os que me vieram à cabeça de momento. E todos eles eram pessoas de excepção, que deram muito a toda a população portuguesa. O cronista apenas incitava à conversa de café, sendo, na minha opinião, completamente ridículo e dispensável.

Portanto, meus caros “amigos e admiradores” de Carlos Castro, não confundam aquilo que o cronista foi para vós, com aquilo que ele deu ao país. São dois conceitos díspares! E se o presidente da Câmara de Lisboa tiver juízo na cabeça, mandar-vos-á plantar tremoço, ou cair casas…

Egipto

12 Fevereiro, 2011 1 comentário

Quando o Povo quer, o Povo faz! A grande dificuldade reside sempre em saber o que realmente quer o Povo.

Inúteis informações e duvidosas utilidades…

9 Fevereiro, 2011 Deixe o seu comentário

Há merdas que me irritam profundamente. Sendo uma delas a falta de reciprocidade no que ao limite de certos prazos diz respeito. Passo a explicar:

Em finais de Novembro, nomeadamente no dia 29 desse mês, enviei um mail à famigerada ASAE a fim de esclarecer uma dúvida referente ao prazos da Garantia de Reparação, pois o meu iPod estava com um funcionamento errante após ter sido alvo de uma reparação. Nesse mail perguntei cordial e pacientemente se o já citado prazo era de um ou três meses. Pensava, no entanto, que a ASAE se dignasse a responder com relativa celeridade. Nada disso!

 

Passaram duas semanas e eu decidi resolver o problema de outra forma. Já estava o assunto encerrado, recebo, no dia 28 de Dezembro, este caricato mail da famosa Autoridade:

 

Exmo(a) Senhor(a)

Acusamos a recepção do e-mail enviado por V. Exa. e informamos que foi atribuída a
Refª S/150220/10/SC, que deverá mencionar sempre que contacte  com os nossos serviços.

Com os melhores cumprimentos,

Divisão de Informação e Documentação


Basicamente, o que estes senhores fizeram foi demorar um mês para atribuir um número a minha questão. Mas eu não precisava de números, precisava sim, de uma resposta. Mas enfim, como o assunto já estava resolvido, ignorei. Já me tinha até esquecido de tudo isto. Até hoje. A querida ASAE decidiu presentear-me com uma resposta! Fantástico. Aqui vai aquilo que veio parar à minha caixa de corei electrónico:

 

Exmo(a) Senhor(a)

Em resposta à mensagem de V.Exa. do passado dia 29 de Novembro de 2010, pedindo desde já desculpa pelo atraso, cumpre informar que, nos termos do artigo 4º e 5º Decreto-Lei nº 67/2003, de 8.04, alterado pelo Decreto-Lei nº 84/2008, de 21.05 que regulamenta a venda de bens de consumo e das garantias a ela relativas, o vendedor responde obrigatoriamente perante o consumidor por qualquer falta de conformidade do mesmo, reparando-o, substituindo-o ou resolvendo o contrato, num prazo de 30 dias caso seja um bem móvel ou num prazo razoável tratando-se de um bem imóvel. A partir da entrega do bem a lei estipula um período de garantia de dois ou cinco anos caso se tratar de bens móveis ou imóveis, respectivamente

Informa-se que a falta de conformidade tem de resultar por defeito de fabrico e não por qualquer acidente ou mau uso por parte do consumidor.

Com os melhores cumprimentos

O Gabinete de Apoio Jurídico

 

Ora, o que estes senhores fizeram foi, basicamente, demorar mais de dois meses a responder a uma questão urgente, cujo prazo legal para a sua resolução é de somente 30 dias. Bravo! Dão-me a confirmação dos meus direitos como consumidor, quando o prazo legal para os fazer valer já expirou há mais de um mês. É fantástica a eficiência destes senhores. Por acaso já tinha resolvido o assunto, mas vamos supor que isso não se tinha passado. Suponhamos ate que se tratava de algo mais grave que uma mera questão acerca do funcionamento do iPod. Bolas, isto é inadmissível. O mais caricato é quando estes senhores vão fazer fiscalizações a variados estabelecimentos, sempre com uma elevada intransigência. Sempre com ouvidos bem tapados aos pedidos de compreensão dos fiscalizados. E neste caso? Onde está a intransigência nos prazos? Onde ficou o respeito pelas regras?

Mais um órgão inútil, que só está presente para nos lixar a Vida, nunca para nos auxiliar quando precisamos. Cambada de ufanos incompetentes. Ide bugiar!

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