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O paraíso das varejeiras de fato e gravata

Não sei se é devido ao forte calor que se faz sentir, se à indelével estupidez nacional, mas o que é certo é que esta nação tem cada vez menos lógica. Ora bem, volvidos a polémica do casamento homossexual, o Mundial 2010 e o aumento de impostos (que, segundo quem sabe, não iria acontecer) vem o PSD, mostrar serviço parlamentar. E não é que só podia ter saído merda?

Acontece que estes marmanjos acham que a nossa constituição é feia e contém erros ortográficos. Posto isto querem eles, quais professores cegamente autoritários, emendar aquilo que acham estar mal. A atitude até nem é de estranhar, agora o resultado, é completamente descabido! Diz o PSD que:

– Se deve alterar a proibição do despedimento “sem justa causa”, passando a poder-se despedir com “razão atendível”

– O Parlamento deverá ter o poder de se autodissolver e convocar eleições sem atender a prazos impostos pelo Presidente da República.

– A Saúde deve deixar de ser “tendencialmente gratuita”.

– O Estado deverá deixar de ter a obrigação de minimizar as diferenças económicas entre o campo e a cidade.

Bem, quanto a vós não sei, mas se de mim dependesse o futuro desta gente, asseguro-vos que não seria risonho, nem teria Coelhinhos a saltar em infindáveis prados verdejantes banhados por um Sol sorridente. Não me interpretem mal, eu sou um gajo de direita. Mas não posso apoiar medidas que castram, literalmente, a carteira de quem trabalha. Ora, se esta proposta for aceite (coisa que espero sinceramente que não aconteça) os patrões poderão despedir com “razão atendível”. O que engloba, basicamente, todas as desculpas esfarrapadas; ir ao médico vai ficar mais caro, o que ajuda, indubitavelmente, ao progresso nacional; o Interior vai ficar cada vez mais desertificado e o Parlamento vai-se tornar autofágico, algo que não potencia nada o sossego político que tão vital é para uma boa governação.

O que o PSD quer fazer é largar-nos ao cães. Mais ainda que aquilo que já nos largou todo este nosso sistema político. Apenas convido estes senhores a serem portugueses. Sim, pois não o são, claramente. Infelizmente, hoje em dia, ser-se português é cada vez mais estar desempregado, ou ter o ordenado mínimo, dois filhos para criar, casa e carro para pagar, e o que sobra desse mesmo dinheiro é colocado nas fraldas para os miúdos. Se um destes engravatados Sociais Democratas fosse para o interior trabalhar, recebesse o ordenado mínimo, lutasse para sobreviver, fosse despedido de uma qualquer fábrica pela “razão atendível” de ter sido apanhado a coçar os genitais à porta, ganhasse uma depressão devido ao peso na consciência de ter uma casa para alimentar e o psicólogo pedir-lhe metade do subsídio de desemprego por cada sessão, talvez vissem que o país em que vivem não é aquele em que pensam estar. O que me leva a comparar os políticos às varejeiras. São bichos irritantes, que poisam em todo o lado. Não são bem vindos. E quando são afugentados, voltam logo ao mesmo sítio onde estavam anteriormente, demonstrando um teor de vergonha nulo. Por muito que votemos contra um partido, vai para lá logo outro tramar-nos de uma maneira ligeiramente diferente.

Portanto, tragam lá o insecticida do bom senso e corramos com esta gente que parece estar a levar isto à bancarrota para nos venderem, de bandeja, aos espanhóis.

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