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O Admirável Mundo Novo

Que a tecnologia de hoje em dia protagoniza um papel activo e crucial no nosso conforto quotidiano, é já sabido. É também do conhecimento geral que os pequenos aparelhos que transportamos de um lado para o outro – telemóvel, leitor de mp3, GPS e afins – possuem já um número bastante apreciável de utilidades e potencialidades. Muitas das quais nós, ou por ignorância, ou até por falta de paciência,  negligenciamos sumariamente.

E não é que hoje, ao fazer a actualização do iTunes, a Apple me vem advertir para eu não usar o seu software no fabrico de – e passo a citar – “(…) armamento nuclear, mísseis ou armas biológicas ou químicas.”? A malta da empresa californiana anda um bocado louca, só pode. É que, ao efectuarem o aviso, estão a dar a ideia de que é possível. Por exemplo, eu não chego como vendedor de carros e aviso o comprador para não o usar como avião. Pois sei que é fisicamente impossível. Não há hipóteses de isso acontecer. E o pior, podem até encetar uma onda de más interpretações. Interpretações de desafio.

Imaginemos um qualquer terrorista. Chega a casa depois de um dia de trabalho no campo de formação de bombistas suicidas. Vai ao cesto da roupa suja largar o casaco cheio de vísceras meio chamuscadas resultantes dos exercícios de treino. Enquanto se questiona acerca da utilidade do seu posto laboral, vai ao PC, ver as últimas notícias. E é avisado pelo iTunes de que está disponível uma actualização para o programa. “Porreiro!”, pensará ele, aceitando prontamente fazer esse mesmo upgrade. Mas antes é avisado de que não fará uso daquele software para construir ” (…) armamento nuclear, mísseis ou armas biológicas ou químicas.” Muito dificilmente iria o terrorista acatar a ordem dada pelo texto.

Com tudo isto provam então, todos eles, serem uns génios. É que, uma coisa é desenhar e construir o iPod, um ícone na cultura pop contemporânea. Outra, bem mais complexa, é conceberem uma ogiva nuclear ou um míssil a partir do software que fornecem nos seus leitores de música. Usaremos o play e o stop para controlarmos o lançamento premeditado da nefasta arma? Servirá o equalizador de áudio para configurarmos as rotas e parâmetros da ogiva? E será que podemos seguir o seu progresso em tempo real com a ajuda do GPS integrado?

É, indubitavelmente, um admirável mundo novo, se olharmos para o aparelho com esta perspectiva. Aldus Huxley adoraria, certamente, estar a testemunhar tudo isto.

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