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Há gentinha que não se manca…

O relógio marcava, sensivelmente, 9:45. Acabava eu de chegar ao Metro. Logo avistei um lugar, apressei-me para o obter. Sento-me tranquilo. Ao meu lado, uma moça rabisca uma folha A4 completamente branca. À minha frente tenho dois indivíduos que, a julgar pelos trajes e objectos que traziam consigo, diria que iam a caminho do trabalho. Começo a ler o Metro, jornal que sempre me acompanha nas manhãs. A capa era completamente dedicada ao dia de S. Valentim. Ridícula, portanto. Enfim, após praguejar mentalmente, viro a página. E, logo na terceira, deparo-me com uma notícia que, além de me fazer praguejar ainda mais, quase me fazia soltar uma gargalhada de desdém para com a mesma. E a notícia que li foi exactamente esta:

Um grupo de “amigos e admiradores” de Carlos Castro, entre os quais Filpe La Féria, Vítor de Sousa e Eládio Clímaco, vai propor à Câmara de Lisboa que seja dado o nome do cronista social a uma rua da cidade. “Consideramos que merece que o Dr. António Costa nos receba para lhe apresentarmos formalmente esta proposta”, que é uma maneira de “recordar” o cronista, adiantou Aristides Teixeira.

Portanto, esta gentinha que dar o nome do malogrado cronista a uma rua da capital! E o único argumento que apresentam é o de ser “uma maneira de recordar”. Claramente este pessoal não se manca. Pergunto eu, que fez o cronista ao longo da sua carreira em prol do país para merecer tal distinção. Que arte possuía ele que fosse razão para levar a cabo o que é aqui proposto? A meu ver, absolutamente nenhum! Pode ter sido – e acredito piamente – uma excelente pessoa. Mas isso não faz com que o seu nome seja dado a uma rua. Longe disso. Ainda mais meritórios que ele são nomes como Camacho Costa, Henrique Mendes, Pedro Pinheiro, António Feio, José Saramago, Henrique Canto e Castro, Raul Solnado, José Morais e Castro, Luísa Barbosa, Fialho Gouveia entre muitos outros. Estes foram apenas os que me vieram à cabeça de momento. E todos eles eram pessoas de excepção, que deram muito a toda a população portuguesa. O cronista apenas incitava à conversa de café, sendo, na minha opinião, completamente ridículo e dispensável.

Portanto, meus caros “amigos e admiradores” de Carlos Castro, não confundam aquilo que o cronista foi para vós, com aquilo que ele deu ao país. São dois conceitos díspares! E se o presidente da Câmara de Lisboa tiver juízo na cabeça, mandar-vos-á plantar tremoço, ou cair casas…

  1. 8 Março, 2015 às 16:18

    independentemente daquilo que muitas pessoas pensão, também aqui fica a minha opinião, Carlos Castro era apenas um cronista, falava bem duns e mal de outros, mas para o elevarem a ponto de dar o nome a uma rua com o seu nome, acho que estou solidariamente com a opinião da a assinatura . …….. About These ads

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